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Quando
o professor Durval Filho vem a público em artigo
assinado por extenso, edição nº 770
de TABU, tentando minimizar exercícios de imaginação,
ficção e folclore de colaboradores deste
jornal, como Eunice Castro e Paulo Aguiar, entendemos
como um indulgente gesto de cavalheirismo que, entretanto,
não invalida comentários anteriormente expendidos
na página 8 da edição nº 769
do mesmo jornal. Cavalheirismo à parte, convenhamos
que ressalvas a posteriori, conceituadas como verdades
relativas, conduzem a uma plasticidade que poderá
até abarcar, na amplitude desta aceitação,
versões psicografadas...
Em
nenhum momento houve de minha parte a intenção
de apenas tecer críticas a quem quer que seja.
Apontar erros e omissões é o que faço,
sinalizando com a meridiana clareza do estilo "fernandiano"
os caminhos que mais de aproximam da verdade histórica.
Esta que, uma vez comprovada, passa a reclamar as devidas
correções e, em alguns casos, até
a republicação corrigida, a fim de que o
pesquisador vindouro não venha a se perder "nos
meandros da História". É quase certo
que a barba não faz o filósofo, entretanto,
quem não quer ser lobo não veste a pele,
o que mais baianamente se diria: quem não agüenta
com feitiço não carrega patuá, ou
ainda como aconselha a sabedoria popular: quem não
tem competência não se estabelece...
Voltando
ao mote, reafirmo a omissão do geógrafo
por formatura Paulo Aguiar que definitivamente resultou,
como foi dito, em "um olhar estrábico sobre
o conjunto", mesmo com os pressurosos panos quentes
do erudito municipal, que ainda assim não conseguirá
explicar a inexplicável omissão do município
de POTIRAGUÁ, falha que derramou o "olhar
estrábico nos meandros da História"
- eis o xeque-mate!
Em
que pese o possível desconforto causado pela forma
incisiva do estilo "fernandiano", nesse embate
de idéias entre pesquisadores da História
de Canavieiras, separado o joio do trigo, não haverá
vencidos nem vencedores. Desse bom combate, a grande vitória
pertence à autêntica e cuidadosa pesquisa.
Neste exato momento, afirmamos com a mais absoluta certeza
de que em nenhuma outra cidade, mesmo de maior porte e
maiores recursos, ocorra que um jornal esteja heroicamente
disponibilizando espaços para estudiosos abordarem
dados e fatos pertinentes à história local.
Entretanto,
é na vetusta Canavieiras, que já viveu épocas
de fastígio e que hoje possui como sua última
riqueza apenas os séculos de história, que
responsáveis por este patrimônio procuram
manter viva aquela que foi a Princesa do Sul. Quanto à
mencionada relação de governantes do município
de Canavieiras, em que acrescentamos o período
do Coronel Wulter Pereira de Castro, retornamos agora
incluindo o engenheiro Pedro Antonio de Souza, que assumiu
o cargo de Intendente para o qual foi eleito em 11 de
novembro de 1923. Esse e outros originais nos foram gentilmente
cedidos pela Sra. Arlete Fernandes, que pertencendo a
uma das mais antigas e tradicionais famílias de
Canavieiras, preservou documentos que nos permitem abrir
agora uma ampla janela sobre o tema. Focalizando a relação
de governantes do nosso município entre 1890 e
1990, observamos que nesse período de 100 anos
houveram rupturas, transições, adaptações,
abjurações, cooptações, enfim,
tropeços e acomodamentos que ocorreram na vida
política municipal.
Convém
citar que em 1832 houve a emancipação de
Canavieiras da Vila de Ilhéus e que no dia 17 de
fevereiro de 1890, já proclamada a República,
foi dissolvida a Câmara local, dando lugar a uma
Intendência. Surgiu a partir daí a figura
do Chefe do Executivo, que veio perdurar com a denominação
de Intendente até que a Revolução
de 1930 atribuiu ao ocupante do cargo a denominação
de Prefeito. Foi na aludida sessão de 17 de fevereiro
de 1890, sob a presidência do coronel Augusto Luiz
de Carvalho, que foi lido ofício do dia 1º
corrente em que o governador Virgilio Damásio oficializava
a dissolução da Câmara e, ao mesmo
tempo, nomeava Intendente o doutor Antônio Salustiano
Viana.
A
referida sessão, realizada fora do horário
regimental, teve como participantes, além do citado
coronel Augusto Luiz de Carvalho, o vice-presidente Nicolau
Pinheiro de Souza e os vereadores advogado Onésimo
Ferreira de Araújo, capitão Antonio Francisco
de Souza e Rogério Camilo Catulandeira. Ao mesmo
tempo, o governador nomeava para constituir o novo Conselho
Candidiano das Neves, capitão José Alves
da Cruz Rios, George Adolfo Stolze e Manuel Felix de Brito
Cunha.
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Foram
eles então admitidos ao recinto com as solenidades
de estilo, prestando juramento e sendo empossados perante
a recém dissolvida Câmara de Vereadores.
Isto posto, o coronel Augusto Luiz de Carvalho convida
o doutor Antonio Salustiano Vianna a ocupar a cadeira
da Presidência, colocando-se à sua direita.
Decorridos pouco tempo destas providências iniciais,
movimentos da política local acrescentavam novos
membros ao Conselho, reincorporando ao novo poder constituído
o coronel Augusto Luiz de Carvalho, antigo presidente
da Câmara, que adiante sucederia ao doutor Salustiano
Viana em uma alternância de compadrio no governo
municipal.
Estamos
agora em 1904, quando Canavieiras possui apenas 3 seções
eleitorais, assim distribuídas: a 1ª sessão
no salão Leste do pavimento térreo da Intendência,
a 2ª sessão no salão Oeste do mesmo
pavimento e a 3ª sessão eleitoral da cidade
- pasmem os senhores!!! - funcionava numa casa de residência,
exatamente a do advogado e articulista Antônio Sabino
(hoje escritório da Ceplac). Por mera curiosidade,
perguntaremos: - Seria possível algum eleitor que
não fosse da simpatia do dono da casa exercer,
nos idos de 1904, o seu legítimo direito de voto???
Nesta
conjuntura eleitoral em que o voto era facultado somente
aos homens, maiores de 21 anos, o eleitor exercia este
fictício "direito obrigatório"
a descoberta, com as próprias mesas receptoras
de voto realizando a totalização, quase
sempre sob fingida lisura e verdadeira mistificação.
Ocorria aí quase sempre que, nas eleições
municipais, as facções envolvidas apresentassem
resultados diferentes em todos os níveis e, não
raro, uma cisão na dicotomia ensejasse o inusitado
da triplicata eleitoral. Estamos já agora em fevereiro
de 1912, quando o engenheiro João Marques de Souza
declara em relatório que exerceu as funções
de Intendente de 9 de novembro de 1909 até 10 de
dezembro do mesmo ano, em virtude de problemas de saúde
do titular, coronel Augusto Luiz de Carvalho.
O
engenheiro João Marques reassumiu o cargo, uma
vez que era o presidente do Conselho Municipal, a 21 de
fevereiro de 1910 até 21 de julho e, três
meses depois, com o agravamento das enfermidades do Intendente,
permaneceu em definitivo no cargo, completando o quadriênio,
até as eleições de 12 de novembro
de 1911. Entretanto, o Governo do Estado, pelo Decreto
nº 990, de 26 de dezembro de 1911, veio a prorrogar
os mandatos do Intendente e do Conselho, em virtude da
triplicata eleitoral aqui ocorrida. Encontramos que, nos
100 anos anteriormente referidos - 1890 a 1990 - mais
de dez dirigentes municipais ocuparam o poder local, por
maior ou menor período, sem que passassem pelo
crivo do voto popular. O povo, o cidadão de Canavieiras
na sua individualidade, sempre foi vítima do processo
eleitoral, como demonstrado.
Através
do tempo, a fraude eleitoral, plasmada no espírito
da terra, forjou eleições anulados, votações
suplementares, apurações de votos em que
campeava o mapismo, produzindo escandalosas vantagens
eleitoral nunca repetidas, relator de junta apuradora
que inexplicavelmente pronunciou-se contra o restabelecimento
da verdade eleitoral. Podemos então afirmar que,
somente com o advento da urna eletrônica, passou
a ser respeitado o inalienável direito de escolha
através do voto secreto, havendo então a
ruptura definitiva com a fraude, o que pode se considerar
o xeque-mate da Democracia. Com tais subsídios,
torna-se imperativo, portanto, a republicação
da relação de governantes de Canavieiras
citada na página 2 da edição 265
de TABU.
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