.Ano 41 - Canavieiras, Bahia, 1ª quinzena de Abril/2009 - Nº 775
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Lições da vida
(Avisos prévios)
 

Ao inimigo estende a mão
Com doçura e sem rancor:
Ao contato com o perdão
Toda pedra vira flor (1)

Amigos são todos eles
Como aves de arribação:
Se faz bom tempo eles vêm,
Se faz mau tempo eles vão. (1)

Saiba rezar a oração Pai Nosso:
... perdoai nossas ofensas,
assim como nós perdoamos...
O ódio só prejudica a quem odeia (1)

• Procure estar em paz com a família que Deus lhe deu. Viver sem essa paz é o mesmo que lhe faltar ar puro para você respirar.
• Rezar é orar. Orar é pedir a Deus... o que?
• O amor sem afeto, está bem incompleto
• O homem da caverna não se governa, ele é comandado quando o fazem irritado.

Estas são lições que a vida nos oferece quando delas nos distanciamos.

De Rosalvo para Medrado,
amigo-irmão-colega-compadre

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Carlos Alberto Medrado tomou posse a 24 de março de 1960, como escrivão, na então Coletoria Federal de Belmonte, que era chefiada por Rosalvo da Silva Freire.
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Com a recente morte de Rosalvo (TABU, 2ª quinzena de março), Medrado recolheu escritos de autoria do falecido, que lhe foram oferecidos há tempos junto a outros (1) de autor desconhecido.
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Academia de Letras e Artes de Canavieiras
 

A propósito de artigo de sua autoria publicado em TABU, o professor Paulo Aguiar recebeu a seguinte mensagem:
"Recebi aqui em Salvador o exemplar do TABU da 2ª quinzena de fevereiro e li com atenção o seu artigo falando sobre a Academia de Letras e Artes de Canavieiras, uma das minhas filhas diletas das 80 que criei na Bahia, algumas no Brasil e outras na Europa.

Necessito urgentemente sua gentileza em conseguir-me os e-mails dos confrades da ALAC. Dia 20 de junho haverá solenidade de posse na Academia de Cultura da Bahia - salão nobre da Faculdade 2 de Julho - e gostaria de homenagear figuras notáveis de Canavieiras, inclusive a você, que através seu louvável e oportuno artigo fez-me retornar o contato com essa boa terra. Na ACB nossas reuniões são semanais, toda sexta das 15 às 18 horas, no Palacete da Fundação João Fernandes da Cunha - Campo Grande, antigo Clube Cruz Vermelha - em frente ao TCA. Se possível, mande-me a lista com os atuais membros do sodalício. Fraternal abraço.

Benjamim Batista
Presidente da Academia de Cultura da Bahia

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Dos lugares e seus nomes
(Robson do Boa Morte Garcez)
 

Enquanto relia a "Palmeira Florescente", de Arnou Sena Lobo, dias desses, lembrei-me de que há uns cinco anos me propusera a rabiscar alguma coisa acerca de nomes antigos e atuais de algumas localidades do sul baiano. O estudo dos nomes de lugares e pontos geográficos é denominado toponímia (de "topos", lugar e "onoma", nome, ambos da língua grega). Os topônimos são cheios de riqueza à nossa cultura, quer pelos aspectos lingüísticos, históricos e sociais, ou simplesmente pelas suas informações e curiosidades que contêm. E podem, de quebra, brindar-nos com indicações seguras de nossas origens, em auxílio à identificação de nós mesmos. Assim, tenta-se aqui o registro de uma parte dos nomes antigos e dos respectivos atuais de cidades e povoados, estes bem do conhecimento de quem vive e circula pelas regiões cacaueira e circunvizinhas, até o extremo sul do estado da Bahia.

Nem todo idoso se lembra e os mais novos dificilmente saberão que, em um passado nem tão remoto assim, essas paragens recebiam outros nomes.
De início, olhamos o topônimo Buerarema (do tupi Buera ou Puera = que foi + rema, de cheiro forte e ruim; mais provável é que tenha origem em Ibyra = madeira + rema = árvore de cheiro forte, o pau d'alho, comum na região). A cidade, antes do nome atual, era chamada de Macuco. Este é ave galinácea ainda existente na Mata Atlântica, tendo sido comum nas matas que cobriam os cacauais das margens do médio Rio Pardo e, mais ainda, nas brenhas fechadas de toda a região. Em seu Dicionário Tupi-Português, Luiz Carlos Tibiriçá informa que indígenas a chamavam de macucaguá e macuco, também chamada de acauã, em outras regiões do país.

A Eunápolis de hoje (homenagem a algum Eunápio?) era até os fins dos anos 70, por muitos, chamada de Sessenta e Quatro, numa referência à distância entre a sede do município de Porto Seguro e seu maior distrito: 64 quilômetros. Eunápolis - até o dia de sua justa emancipação - era proclamada como o Maior Distrito do Mundo, com algo próximo de 90.000 habitantes, à época, dizem.
Até hoje o distrito de Leoventura é chamado de Os Quatro por boa parte dos moradores de Camacã e do próprio lugar, por adoção do mesmo critério da distância com a sede do município. A Itabuna - pedra preta, em tupi, numa referência provável aos lajedos do Rio Cachoeira - de hoje já foi Tabocas. A Pau-Brasil de nossos dias foi durante décadas (e ainda é, por alguns mais idosos ou saudosistas) tratada por Santa Rosa. Na mesma sub-região, o lugar oficialmente denominado Itaimbé ainda é chamado de Coréia, por parte mais vivida dos que ali moram.

E há topônimos que se marcam pela dose de curiosidade havida em sua composição. É o caso da vizinha Santa Luzia, que era chamada de Arriba-Saia. Ouvi de algumas pessoas que residiram na região, por ali passando à época: antes dos calçamentos e asfaltos, a lama causada pelas chuvas obrigava as senhoras e senhoritas a erguerem suas compridas vestes, da época, em suas locomoções pelo então arruado; daí o nome. Euclides Neto, no seu Dicionareco das Roças de Cacau e Arredores (Ilhéus: Editus, 1997) confirma essa versão.
Diz ainda que Jitaúna era chamada de Mija-Gás. Quando morei em Camacã, em 1974, lembro-me de que Tripa-Seca nome dado ao distrito hoje denominado São João do Paraíso (município de Mascote), em face da dificuldade de acesso à água que o lugar sofreu, antes de seu razoável desenvolvimento. Perto dali, encravada na sinuosa e bem conservada estrada de asfalto que liga a sede do município (Mascote) à BR 101, há outro distrito: Pimenta. Desde que por lá passei, pela primeira vez, em julho do mesmo ano, Pimenta é Pimenta. Num imaginário clássico do futebol municipal, à época, um narrador diria: "Entra Pimenta na Tripa-Seca...", lembro-me de que brincavam alguns dizendo isso, nos anos setenta.

Eu desconhecia e é bem possível que nem todo o mais antigo se lembre de que Pedra Branca já foi o nome de Itapebi. Que a Uruçuca de hoje era a Água Preta do Mocambo de ontem, terra natal do escritor Jorge Medauar. No prazeroso livro Visgo da Terra (Editora Record, 1983), o saudoso poeta e intelectual ambienta os casos em sua Água Preta, fazendo-o com sentido apego. A Terra do Gado, Itapetinga, até o ano de 1944, era Itatinga (pedra branca). No citado ano, não podendo os municípios ter nomes iguais dentro de um mesmo Estado, por determinação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), um Decreto-Lei estadual alterou-lhe o nome para o atual, com acréscimo da sílaba "pe"; Euclides Neto nos lembra que Itapetinga também esteve pejorativamente chamada de Ita-Fome. E Guaratinga (garça branca, em tupi), igualmente recebeu, antes, os nomes de Jaquetou e Novo Horizonte. Há tempos, o curioso apelido de Volta Goma também lhe foi posto, porque quase todas as especiarias, mais ainda a goma, que chegavam ali para comércio, não encontravam procura e voltavam intactas aos produtores.

A situação geográfica da cidade também foi tomada para a escolha de seu nome. No último janeiro, voltando de Canavieiras a São Paulo, vi as luzes da vívida Itamaraju, da rodovia federal que serpenteia por ali e cruza, por ponte, o Rio Jucuruçu. Há muito tempo, seu núcleo urbano, embrião do atual, situava-se em lugar pouco visível de longe e com acesso bem trabalhoso. Escondido era como se chamava, até no início dos anos 60, quando se emancipou com o nome atual. É belíssima a formação rochosa que há ali, no lado oposto ao núcleo urbano, lembrando o sinal de ''positivo" e/ou um "dedo de Deus". Não fosse Itamaraju, a cidade bem poderia se chamar Itaboraí (pedra bonita).

A maior parte dos lugares aqui citados denuncia a contribuição do idioma tupi à formação de tais topônimos. Tal pode ser atribuído à preservação de seus nomes originais ou como os indígenas, primeiros habitantes locais, chamaram-nos. Além dos mencionados, são dessa origem, na região e nas vizinhas: Juçari, Ipiaú, Itarantim, Una, Jacarandá, Itagimirim, Itanhém, Itacaré, Anuri, Itapé, Mucuri, Itabela, Guaratinga (garça branca), Jacareci, Potiraguá (flor redonda), Camamu, Ibirapitanga (cipó ou madeira vermelhos), Itapitanga (pedra vermelha), Coaraci, Itororó (cachoeira pequena), Arataca, Caatiba, Maraú, Guanambi, Ibicuí, Oiticica, Macarani, Ubatã, Ubaitaba, entre outros. Também os cursos d'água: Jequitinhonha, Pindorama, Cipó, Itagi Mirim, Patipe, Marobá, Pindorama, Piabanha, entre outros.

Os caminhos da linguagem nos permitem viagens de encanto e desafio. A estrada da toponímia nos conduz à história da nossa gente e seus lugares. Um nome é uma via.

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Mestre em Comunicação e Letras e em Ciências da Religião. Morou em Canavieiras entre 1973 e 1981. Ex-aluno do CEOB, leciona na Faculdade de Direito e na Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo-SP.
 
CALENDÁRIO
:: 25/05/09
Dia da Cidade (desfile cívico e show musical)