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Inconformados
com a extinção da Filarmônica 25 de
Maio, conhecida também por Medéia, um grupo
de seus ex-músicos começou a se reunir na
escolinha da professora Virgília Copelo, na Av.
J.J. Seabra, atual ACM, para formar uma nova filarmônica.
No dia 2 de Janeiro de 1930, entre a J.J. Seabra e a Rua
São Francisco, na casa de Joaquim Ribeiro, onde
funcionava a torrefação de café de
Flávio de Souza, foi fundado o Grupo Musical 2
de Janeiro, nome sugerido por Joaquim da Costa Espinheira
e aceito pelos demais.
Estavam
presentes os fundadores João Lourenço Ferreira
(João Panan), Flávio de Souza, João
Evangelista França, Antonio Ferreira, João
Escovini, Euclides Penna, Heráclito Malta, Parmênio
Dorea, Alfredo Cattai, Antonio Penna, Júlio Chachá,
Rochael Cardoso, Álvaro Santiago, Alexandre da
Costa, Casimiro José dos Santos, Luis dos Santos,
Manoel dos Santos, Manoel Monteiro, Antonio Dorea e Álvaro
de Souza. A filarmônica funcionou mais tarde na
Rua São Francisco, numa casa alugada a Edvaldo
Góes por 15 mil réis. Entre os anos de 1935
e 1936 a banda de música funcionou na Av. Augusto
Luiz de Carvalho (antiga Rua 13 de Maio), na antiga sede
da Filarmônica 25 de Maio. Em 1937 voltou para a
Rua J. J. Seabra, já então na sua sede própria,
uma casa pequena e simples, adquirida na gestão
de Deusdedith Chachá e posteriormente ampliada,
onde funciona até hoje.
No
mesmo dia da fundação, foi eleita a primeira
diretoria da 2 de Janeiro, empossada dois dias depois,
a 4 de janeiro: presidente Flávio de Souza e mais
Joaquim Espinheira, Heráclides Malta, Luis Vídero,
Alexandre da Costa, João França e Euclides
Penna. João Panan foi seu primeiro maestro e primeiro
professor de música, dando aulas num quadro negro
oferecido por João França. Panan tinha apenas
25 anos de idade.
PRIMEIROS
INSTRUMENTOS
No dia 7 de março de 1930 - 60 dias após
a fundação da filarmônica -, chegavam
de Salvador 14 novos instrumentos adquiridos pelo presidente
Flávio de Souza, na loja do italiano Malaguti Martineli,
ao custo de dois contos, duzentos e trinta mil réis.
No Sábado de Aleluia de 1930, numa quermesse na
própria Rua J. J. Seabra, a filarmônica 2
de Janeiro fez a sua primeira tocata. O dobrado Anão
foi a primeira música executada. Os músicos
eram João Panan e Edivaldo Góes (clarineta),
João França e Martins Chachá (trompete),
Maximiano Ferreira e Astrogildo Passos (trompa), Leopoldo
Mesquita e Aurelino (baixos), Pedro Viana e Floro Pinheiro
(bombardino), Larum dos Santos (caixa), Feliciado dos
Santos (bombo) e Antonio Ferreira (pratos).
CLUBE
DE ADEPTAS
Fundada na Boa Vista, bairro pobre na Canavieiras de 1930,
o Grupo Musical 2 de Janeiro logo ganhou uma multidão
de fãs e colaboradores. Nessa época existia
na cidade apenas a Sociedade Filarmônica Lyra do
Comércio, já que a Medéia havia sido
dissolvida. O Cine Guarani e o Clube Caxeiral Afrânio
Peixoto costumavam promover eventos em benefício
da 2 de Janeiro. Em 1934, surgiu o Clube de Adetas da
2 de Janeiro, formada por moças e jovens senhoras
da sociedade. Antígones Santos era a presidente
e Maria Chachá a tesoureira. As Adeptas promoviam
quermesses, bailes e o concorrido concurso da Rainha da
2 de Janeiro. Ainda em 1934 elas presentearam o maestro
João Panan com uma batuta de prata.
MULHERES
E PRESIDENTES
O corpo de músicos da 2 de Janeiro já nos
anos 1950 veio a contar com a participação
feminina: as clarinetistas Therezinha, Edith, Bernadete
Alvarenga e Dalva Nascimento. Nos anos 1980 as mulheres
voltaram à filarmônica com Amélia
Santos, Valdirene Araújo, Marivalda Souza, Marta
da Hora, Margarida de Souza, Simone Favaro e Eunice Castro,
atual presidente e maestrina. Já passaram pela
2 de Janeiro 34 presidentes, entre eles Índio Chachá,
Josias Teixeira, Álvaro de Souza (3 vezes), Antonio
Barbosa (4 vezes), Carlos Medrado, Leonardo Francisco,
Messias Assis, Otoniel Cassemiro Neto, Justino Melo, Maria
José Reis, Sebastião Ribeiro e Eunice Castro
(3 vezes presidente interina e atual presidente e maestrina).
MAESTROS
E ASSOCIADOS
Além de João Panan, foram também
maestros Eulímpio dos Santos, Índio Chachá,
Deusdedith Chachá, João Flores, Boaventura
Veloso, Davi Magnavita, Cosme Pinho, Donaldson Chachá,
Vaney Silva e Jefferson Rodrigues. O quadro de associados
da filarmônica existia desde 1930 e foi extingo
nos anos 1990. Foram sócios Benício Machado,
Tancredo Melo, Almir Nonato, Symaco da Costa, Altamirando
de Carvalho Filho, Carlos Terra, Ourivaldo Messias dos
Santos, Dácio D´Ajuda Santana e Bivaldo Almeida
(Pretinho), entre vários outros.
Nota:
Outras informações sobre o passado e o presente
da 2 de Janeiro na próxima edição
de TABU.
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