.Ano 41 - Canavieiras, Bahia, 1ª quinzena de Outubro/2008 - Nº 765
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Esclarecimento Importante
Certo intelectual baiano, romancista, contista e tradutor, membro da Academia de Letras da Bahia e que atua também na área de comunicação em Salvador, após alguns contatos na década de 1990 com nossa cidade e com o então prefeito Almir Melo, fez publicar na imprensa baiana, em julho de 1992, este artigo sobre a dramática situação de Canavieiras. Sua reprodução aqui tem o objetivo de reavivar a memória dos canavieirenses e, em particular, de corrigir versões fantasiosas dadas ao conhecimento de pessoas que vivem em Canavieiras a menos de 10 anos, que naturalmente desconhecem fatos de nossa história recente e o verdadeiro perfil psicológico de Almir Melo.
 

Baixo astral em Canavieiras
Canavieiras acalentou alguns projetos que, se realizados, poderiam transformá-la numa cidade turística do porte de Ilhéus e, quem sabe, de Porto Seguro. Infelizmente, tudo ficou na intenção, ou no papel. O prefeito que anunciou os tais projetos, Almir Melo, é um ciclotímico: ou ferve de otimismo ou afunda na depressão. Ainda não encontrou o equilíbrio de sua personalidade. Aparentemente afável, simpático e extrovertido, Almir Melo é uma dessas pessoas descrentes de tudo e de todos, e que começam justamente por não acreditar em si próprias.

Dessa forma, fica tudo mais difícil. O prefeito promete, mas sabendo que não cumprirá a promessa. O prefeito planeja, e no entanto uma voz interior lhe diz que tudo será em vão. O prefeito divulga aos quatro ventos planos ousados, embora não tenha meios de adquirir os meios para implementá-los. Canavieiras, com um prefeito assim, fica no sonho, no devaneio. Almir Melo está repetindo a sua primeira gestão: um ano de trabalho satisfatório e, depois, o descalabro, a omissão, a desesperança. Na primeira vez, por causa do seu desgoverno, não conseguiu fazer sucessor nem se elegeu deputado. Para sobreviver e manter o seu projeto político em banho-maria, foi ser funcionário de um órgão em decadência, o Instituto de Cacau da Bahia, onde o então presidente Antonio Menezes Filho o isolou por completo.

Graças à ajuda de poucos amigos, Almir Melo saiu daquela situação incômoda e indigna para ser novamente candidato a prefeito de Canavieiras. Elegeu-se e iniciou a sua administração com entusiasmo. Não tardou, porém, a mostrar a sua verdadeira face: a de um homem público que cultiva a indiferença, o egoísmo e o menosprezo. Um homem público não pode dar-se ao luxo do pessimismo. Almir Melo é mais que um pessimista: é um derrotista. Parece que não acredita em si mesmo. E, assim sendo, desconfia de todo mundo. Amizade é uma palavra que ele não declina. Gratidão, nem falar. O prefeito se sente, dessa forma, à vontade para faltar à sua palavra, para fugir a seus compromissos.

 
Depois de um ano de um novo governo Almir Melo, Canavieiras parou completamente. Está estagnada e, sob certos aspectos, retrocedeu. Ora, o município não merece essa sorte ingrata. Tem história. Tem tradição. Tem recursos. Estava atraindo investimentos substanciais, sobretudo no setor turístico. Pedia apenas um prefeito equilibrado e coerente, capaz de dar continuidade aos seus programas administrativos.
 

Em vez disso, Almir Melo partiu para o con fronto tolo que acabou isolando-o mais uma vez. Desentendeu-se com a Secretaria de Educação do Estado. Desentendeu-se na Secretaria de Indústria e Comércio. O vice-governador Paulo Souto, amigo natural de Canavieiras, e disposto a se empenhar pelo seu bem-estar, sequer se aproxima hoje de Almir Melo. O governador Antônio Carlos Magalhães faz o mesmo.

Com um representante político desorientado, atabalhoado e sem inspirar confiança, Canavieiras sofre o abandono, o alheamento, o atraso. Para completar essa situação penosa, Almir Melo, talvez por deboche, continua a fazer das suas, com repetidas ações de desrespeito à comunidade. E se inclina para Porto Seguro, na esperança de ali obter votos, porque dificilmente ele os terá em Canavieiras. Quer ser deputado estadual. Mas depois do seu governo infeliz, o projeto não passa de mais um devaneio.

O prefeito de Canavieiras deixou de fazer a micareta por não ter recursos e não obter crédito. Paga aos professores municipais a miséria de R$ 90 mil. Um secretário municipal recebe menos de um salário mínimo. Afetado duplamente pela crise econômica e pela omissão da prefeitura, o comércio local não tem como sobreviver. Um quadro muito triste. Enquanto a Oposição arregimenta forças, no saudável empenho de rever tamanho descalabro, o prefeito se entrega, cada vez mais, a atos de insensatez reveladores de sua personalidade doentia. Por último, passou a perseguir e demitir modestos servidores municipais que não escondem suas preferências eleitorais.
Canavieiras merece destino melhor.

 
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